quinta-feira, 3 de maio de 2012

Este não é um texto sobre Ayrton Senna

É sempre bom esclarecer, porque nesta semana parece não haver outro assunto. E, embora eu também estivesse vendo a maldita corrida em 1994, minha referência para o dia 1º de maio é bem outra.

Em 1993 eu tinha onze anos, mas era doida pra ter dezoito, só pra poder fazer umas tatuagens, colocar piercing no nariz e, principalmente, ir aos shows de rock, que eram censurados para pessoas da minha idade. Eu era uma mini groupie frustradíssima.

Até que o Metallica anunciou sua turnê no Brasil com censura livre. E eu me lembro claramente de azucrinar meus pais para me levarem, exatamente como qualquer criança de onze anos faria... por um brinquedo. Ou por uma ida ao Playcenter. Mas eu queria um show de rock.

Meu pai me levou ao shopping Center Norte pra comprar os ingressos. Naquela noite, eu ganhei também um esquilo, o Faustinho, que fez parte da família por um ano. Compramos também ingressos para uma coleguinha da escola e sua mãe. Realmente parecia um passeio ao parque de diversões. E não deixava de ser.

E na tarde de 1º de maio daquele ano, fomos todos ao Parque Antártica. A primeira vez que pisei num estádio de futebol, mal sabendo que essa também seria uma das minhas grandes paixões no futuro. Eu me lembro de tudo: da fila, do lanche de mortadela que levamos na mochila, do chocolate Rocky distribuído na entrada, do banquinho de madeira pintado de verde, do Gastão aparecendo no palco pra filmar o Fúria Metal Especial. Com o dia ainda claro, o clipe de Sad But True foi exibido nos telões, e o público cantou em uníssono. Meu coração bateu junto com a bateria do Lars, e eu sabia que nunca mais seria a mesma depois daquilo.

O show de abertura, para minha enorme surpresa, foi do Viper - que, até então, era uma das bandas favoritas. O sonho começava a se realizar antes do esperado, e eu, pela primeira vez na vida, cantei a plenos pulmões num show, como viria a fazer dezenas de vezes depois.

O clipe de Evolution foi gravado neste show. Eu estava lá :)

Então chegou a vez do Metallica. O mar de gente na pista pulando e cantando Enter Sandman foi uma espécie de revelação pra mim. A coisa mais bonita que eu tinha visto até então - e continua sendo uma das que vi até hoje. Eu estava bem longe do palco, mas perto o suficiente pra perceber que os caras que eu via no Clip Trip existiam de verdade. Saí de lá com uma nova definição de felicidade, que eu carrego até hoje.

E é por isso que, há 19 anos, o dia 1º de maio é "O Dia em que vi o Viper", "O Dia em que vi o Metallica pela primeira vez", ou ainda, como eu prefiro, "O Dia em que vi meu primeiro show de rock".

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