quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dia 5 - The next time we touch


***Prólogo***

Depois da passagem relâmpago por Curitiba, eu migrei pro Sul. Numa manhã extremamente nublada, quando todos os vôos do Aeroporto Afonso Pena eram cancelados ou adiados, o único que saiu no horário previsto foi o meu. Sou supersticiosa e pra mim aquilo foi um excelente presságio.

Chegando em Porto Alegre, uma pequena confusão pra encontrar o Fabiano – eu no aeroporto velho, ele no novo. Algumas ligações depois, conseguimos nos achar e ficou tudo bem.

(((PARÊNTESES)))
Quando os shows do Pearl Jam no Brasil foram anunciados e eu vi a lista de cidades, tinha duas certezas: 1 – Eu veria TODOS os shows; 2 – Eu já tinha onde ficar em Porto Alegre. Não, não tenho nenhum parente lá, mas tinha o Fabiano (ou @bonfiglio, como o conheci, também através do Twitter). Eu tenho muita pena de quem acha mesmo que na internet só tem gente estranha e perigosa. Quem nunca fez um amigo virtual virar real não sabe o que tá perdendo. E o Fabiano é uma versão minha, só que homem, gaúcho e colorado. Reservei passagens e programei três dias na casa do desconhecido mais conhecido que já tive, com a certeza absluta de que seria muito bem recebida. Ele me hospedou, me levou pra conhecer um pouco da cidade, me emprestou a filha caçula (Mel, essa linda, me apaixonei) enquanto eu estava longe dos meus e ainda foi ao show comigo. Aconteceram tantas coisas especiais nos dias que passei com a família Bonfiglio que os relatos da jornada merecem um spin-off.
(((FECHA PARÊNTESES)))

Cheguei numa quinta chuvosa e o show foi só na sexta. Ainda bem, pois deu tempo do clima melhorar. E o destino fez com que a Mel nos acompanhasse. Tudo conspirando para uma noite inesquecível.

***Dia 5***


Cheguei cedo nos arredores do estádio, pois ainda tinha que comprar o ingresso da Mel. Fiquei observando bem tudo ao meu redor. Pela primeira vez desde que começou o assunto Peral Jam no Brasil, eu não estava ansiosa. Pelo contrário, queria que tudo aquilo demorasse muito a passar.

Conheci o simpático Estádio do Zequinha, casa do São José, que está para Porto Alegre mais ou menos como o Juventus da Moóca está para São Paulo. Impossível não lembrar da Carol, que tem toda uma história de família ligada àquele lugar J

Entramos e o frio bateu. Pude usar minha outra camisa xadrez de estimação. Sentamo-nos e ficamos conversando até chegar perto do show começar. Eu estava bem decidida a manter aquele clima leve até o fim da apresentação. Queria curtir, contemplar, me divertir, e de preferência sem chiliques. Afinal de contas, o que mais eles poderiam fazer no setlist para me deixar fora da casinha? Mais uma vez, felizmente, eu estava enganada.

O show começou com Why Go, e o Jeff em destaque logo de cara. Muito amor. Enquanto rolaram as músicas “de sempre”, eu tava muito firmo no meu propósito de ficar apenas feliz. Então começou Low Light, a primeira surpresa, e eu já fiquei um pouco abalada, mas nada que me derrubasse. Wishlist, pode riscar mais uma.

No entanto, mais pra metade do show, vei a música que é *só* a maior lição que essa banda me ensinou: Present Tense. Minha primeira reação ao ouvir os acordes iniciais foi imaginar a felicidade dos amigos, aqueles com quem estive em Curitiba. Quando o chegou o refrão, eu desabei. Chorei de lavar a alma. “Makes much more sense to live in the present tense” era tudo o que eu precisava ouvir ali, naquele momento, naquele lugar.

Present Tense terminou e eu não tinha conseguido me recuperar, quando começou Daughter. E aí quem desmontou foi o Fabiano, e ficamos lá abraçados e chorando. Projeto Manter a Pose: FAIL.

Pra me lembrar que meus desejos estavam sendo atendidos, rolou Wishlist novamente. E o primeiro encore foi encerrado com Black (versão We Belong Together). Essa é, talvez, a música mais óbvia em um setlist de Pearl Jam. Eu já tinha visto em todos os outros shows. Mas ainda assim, ali, eu sabia que era uma despedida. E chorei. Muito.

Mas o melhor ainda estava por vir. No segundo encore, Eddie Vedder dá o seguinte aviso: “This is a request”. Minhas pernas tremeram, porque lá na frente estavam meus amigos com um cartaz escrito SMILE, música que a Clau queria como presente de aniversário. Eu pensei que eles fossem tocá-la, quando um pequeno silêncio instaurou-se. Eddie contou até três e... Hold on to the thread, the currents will shift... Sim, eles estavam tocando Oceans! OCEANS! O-C-E-A-N-S! Se tem uma música que eu jamais pensei que poderia ouvir ao vivo, era essa. E ela é importante DEMAIS na minha vida, desde sempre. Eu ajoelhei e ouvi a primeira parte chorando, de olhos fechados. Um dos momentos mais emocionantes da minha vida para todo o sempre.

Quando eu achava que nada mais poderia acontecer, eles tocaram Light Years, outro pedido forte da minha Wishlist. E eu emendei o choro de Oceans que ainda não tinha acabado direito. Virei praticamente a Alice flutuando nas próprias lágrimas.

Dali pra frente foi um misto de alegria e saudade. Já sabia que o fim estava próximo, e não queria que isso acontecesse. Então decidi valer cada segundo valer a pena. Isso incluiu cantar e dançar com os braços abertos em... Last Kiss. Pois é.

Antes do fim ainda teve Crazy Mary, mais uma surpresinha. E o "até breve" foi mesmo Yellow Ledbetter, com direito a um trecho de Little Wing antes de McCready ir embora e o palco ficar vazio.

***Epílogo***

Esse foi, sem dúvidas, e de longe, o melhor show da minha vida. E tenho certeza absoluta que só poderá ser superado pelo próprio Pearl Jam, quando eles voltarem. E eu sei que eles vão voltar. Sei também que até lá eu terei condições de fazer tudo de novo. Tudo mesmo.

Ainda tive tempo de dormir, acordar no dia seguinte com mousse de maracujá na cama e o clipe de Oceans na TV. Passear pela cidade que eu sempre quis conhecer, e que de alguma maneira eu sabia que me faria sentir em casa. O day after foi tão lindo quanto o próprio dia do show, e minha jornada acabou com o nascer de sol mais lindo do mundo, no domingo de manhã.

A quem me ajudou, a quem me acolheu, a quem esteve comigo e a quem torceu por mim, eu agradeço do fundo do meu coração. Foram dias que fizeram minha vida simples virar uma história muito boa ser lembrada e contada.

I miss you already.

***Ficha Técnica***

Quando: Sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Onde: Estádio do Zequinha, Porto Alegre
O que:



2 comentários:

Conta do Abreu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alex Kruppa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.