segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dia 2 - I have a soul that has been saved


***Prólogo***

Depois da crise histérica do fim da noite anterior, a expectativa era de que hoje eu estivesse mais relaxada e pronta pra curtir o espetáculo. De fato, passei o dia muito bem, e nem fiquei mal com o fato de ter que sair do trabalho apenas 1h30 antes do horário previsto pro show. E quem já esteve em São Paulo sabe que 90 minutos quase nem caracterizam antecedência, ainda mais numa sexta à noite.

O trajeto foi complicado. Andamos um montão, pegamos o tradicional e pavoroso trânsito. Simultaneamente, em casa, todo tipo de imprevisto. O resultado foi um casal alucinado ao telefone orientando uma dupla de púberes impacientes enquanto observava o mar de luzes vermelhas. Mas conseguimos chegar a tempo e eu estava calma. Deve ser a continuação do milagre de ontem.

***Dia 2***

Desta vez eu fui devidamente uniformizada. Usei a camisa de flanela e a camiseta do Pearl Jam que estão comigo desde 1993, só esperando a chance de me abraçarem enquanto vejo o show da minha vida. E, diferente da noite anterior, quando passei a apresentação toda sozinha, dessa vez tive excelente companhia.

De modo geral, o show de hoje foi MUITO melhor que o de ontem. Estádio cheio, e cheio de gente que realmente QUERIA ver e ouvir a banda. Senti-me acolhida, não só pelos outros fãs, que me entendiam e não mais me olhavam como se eu fosse um e.t., mas principalmente pelo Alex. Ele segurou minha onda e curtiu cada segundo como se Pearl Jam fosse também a banda da vida dele.

O show que não vi em 2005 começou com Go. Como Deus (Eddie Vedder) é justo, tive a chance de ver isso agora. Impressionante o meu condicionamento físico. Pra subir escada eu faço drama, pra pular enlouquecidamente no show a coisa rola naturalmente.

Ouvi novamente Elderly Woman, e me emocionei ainda mais do que ontem. Não consigo dizer muito bem porque, mas sei que tinha lágrima nos olhos quando ela terminou, e desabei com Given To Fly na sequência. Aliás, lembrei de tanta gente querida neste momento que eu desejei ter braços de 2 km pra poder abraçar todo mundo ao mesmo tempo. Esta, inclusive, é uma das favoritas da minha mãe, que estava nas arquibancadas do Morumbi com o meu irmão. Sim, minha família é o máximo.

Demorei quase um minuto pra acreditar que era mesmo State of Love and Trust. Sem dúvidas foi a maior surpresa pra mim. Rolaram mais duas músicas do Abacate e eu tô muito feliz com isso, porque acho o disco bacana e me agrada a preocupação deles em tocarem músicas inéditas pra gente. Uns lindos.

Meu ponto alto foi Amongst The Waves. Essa música, apesar de novinha, é muito especial pra mim, tanto quanto aquelas de anos atrás. Segundo pedido atendido da minha Wishlist – que, aliás, também rolou J.
O encerramento foi mais épico do que eu poderia imaginar. Quando achei que já não podia ser melhor do que fechar a noite com Baba O’Riley (The Who, gente, THE WHO!!!!!), eles ainda emendam Yellow Ledbetter. Quem nunca sonhou em embromar cantar essa música no fim de um show não é fã de Pearl Jam. Lindo, lindo, lindo.

Mais lindo do que isso só o depoimento do Eddie Vedder sobre a banda X – que eu consegui perder de novo, parabéns pra mim. Vê-lo emocionado contando sobre sua aventura na adolescência, quando teve que falsificar um RG pra poder entrar no clube onde o X se apresentava, foi a melhor parte da turnê até agora. Sinto um orgulho tremendo de ter como ídolos músicos tão humildes, que não esquecem como é ser um fã. É por isso que eles são a melhor banda do mundo.

***Epílogo***

Escrevo este relato no saguão do Aeroporto de Guarulhos, enquanto espero o vôo que me levará ao próximo show da turnê brasileira, no Rio de Janeiro. Terei uma noite de descanso pra colocar a coluna no lugar, e amanhã tem mais ;)

***Ficha Técnica***
Quando: Sexta-feira, 04 de novembro de 2011
Onde: Estádio do Morumbi, São Paulo
O que:

Um comentário:

Alex Kruppa disse...

Sinto-me honrado em ter participado desta linda estória. Bj.