sábado, 11 de dezembro de 2010

Got time, time, to wait for tomorrow...

Você passa 17 anos escutando a mesma música. Enjoa dela por um tempo, fica indiferente logo depois, e acaba dando uma de blasè reclamando sempre que ela toca na rádio, ou até a deixa de fora da sua playlist quando estiver escutando a discografia completa da banda.

Daí que no momento em que você vê aqueles quatro caras na sua frente, e os primeiros acordes começam, você desaba em lágrimas. Porque é justamente o fato daquela canção ter te acompanhado em tantos momentos que a torna especial.

Antes de qualquer coisa, foi por causa do grande hit que você conheceu aquela banda incrível, e quis ouvir todo o CD. Você, aos 11 anos, pediu de presente e ganhou o tal élbum do seu pai, com direito a bilhetinho carinhoso deixado na cozinha.

Você se trancou no seu quarto e pulou muito, imitando as pessoas que você sempre via na TV, amontoadas nos shows de rock, sorrindo como se não houvesse amanhã. Você sonhou em estar lá, no meio da multidão, cantando junto e vendo de perto aqueles seres do encarte, que de tão encantadores mais pareciam avatares.
O clipe passou na MTV enquanto você almoçava, jantava, fazia lição de casa, tagarelava com as amigas ao telefone. Tocou na sua rádio favorita enquanto você tomava lanche no colégio, com os fones nos ouvidos. Ela fez parte de todos os momentos deliciosamente banais da fase mais gostosa da sua vida.

Você cresceu, a banda cresceu. Outros discos vieram, e você pode acompanhar de longe. Você mudou, a banda mudou. Você quase sucumbiu em um momento de grande dor, a banda não resistiu a tantos conflitos e acabou.

Você encontrou dentro de você, e em pessoas que te amam, a força pra recomeçar. A banda também voltou, contradizendo todos os abutres que davam isso como impossível. E quando você se viu frente a frente com eles, teve mais uma prova de que milagres acontecem.

Quase 20 anos da história da sua vida viravam o mais lindo videoclipe, melhor ainda do que aquele que não saía do topo das paradas. E você se sentiu um pouco aquela garotinha de novo. Só que dessa vez havia de fato um palco, milhares de pessoas cantando junto e os avatares saltaram do encarte e faziam ao vivo tudo o que você ouvia nas caixas acústicas do seu rádio.

Não reclame da demora. Você precisava desse tempo. A banda precisava desse tempo. Hoje você pode se emocionar com músicas que, naquela época, nem existiam. Hoje você pode ter ao seu lado uma pessoa que não só compreende a importância disso tudo pra você, como compartilha a mesma alegria. Hoje você realizou o sonho que você já tinha quando era uma menina, mas pode se lembrar com tanto carinho de uma época especial. Aquela garotinha, lá em 1993, nem desconfiava que era tão feliz. E hoje você, Juliana, não só sabe que era, como tem certeza de que é, e pode ser ainda mais.


3 comentários:

Alex disse...

Quando ouvi esses caras tocando "Plush", na minha frente, entrei no túnel do tempo em 1992, imaginando o quão impossível seria vê-los ao vivo um dia em minha vida. Esse show só mostrou que NÃO existe o impossível para os seus sonhos. Não é papo da Xuxa. É fato. Acredite nessa porra de vida, que é o que você tem, e vai em frente. E sou um homem de sorte por ter essa experiência ao lado de quem tanto admiro.

Bernardo Macaúbas disse...

Ótimo texto. É assim mesmo que, hoje, um adolescente dos anos 90 fã de rock se sente.

Carlos disse...

Olá Juliana, essa música também me faz voltar no tempo. Descobri esse blog por acaso, vi no seu facebook um post que vc citava as primeiras posições do Top 20 da MTV em 1993. Na época, eu anotei essas paradas, mas perdi algumas com o tempo e gostaria muito de resgatar, pois através delas mato saudade de uma época que tinha música boa, clipes bons e até uma boa MTV (hoje não é tao boa...). Por acaso você tem essas paradas de 93 anotadas? agente podia compartilhar alguma coisa, eu ainda tenho alguns arquivos por aqui. Grande abraço! segue meu e-mail: hollanda5515@hotmail.com