terça-feira, 13 de abril de 2010

Memórias do ósculo

Acho que é a primeira vez que escrevo sobre minhas lembranças amorosas. Eu tenho um certo bloqueio em falar das minhas boas memórias, um medo de magoar a pessoa que está comigo no presente que chega a ser quase um trauma. Mas as memórias existem, ditas ou não. E ultimamente elas andam doidas pra virar palavras.

De tanto ouvir falar em Dia do Beijo, foi inevitável lembrar daqueles especiais que dei e recebi ao longo desses quase trinta anos. A gente sabe que a pessoa é especial quando o primeiro beijo faz o chão sumir sob os pés. Como diria Steven Tyler, I know all I need to know by the way that I got kissed. Não importa onde estamos, o cenário vira o local mais lindo do mundo, mesmo que seja o Terminal Barra Funda à meia-noite de uma fria madrugada de Agosto, sob os gritos dos cobradores de lotação. Quando a vontade é muita, tudo fica incrível.

Este foi o primeiro beijo entre mim e o Alex. Rápido, mas foi lindo demais. Deixou aquele gosto de quero mais que levou ao próximo, e ao próximo... e aqui estamos até hoje, quase três anos depois. Naquela noite, passamos horas e horas juntos conversando e tomando cerveja, e a única coisa que me incomodava, no caminho de volta pra casa, era pensar que poderíamos ter dado o beijo antes. Não entendi de onde tiramos tanto assunto pra prorrogar algo que já estava tão evidente. Então lembrei de como aconteceu o primeiro beijo da minha vida, vários anos antes, e entendi que minha tagarelice tinha tudo a ver com aquilo.

Aquele foi certamente um dos momentos mais doces e divertidos da minha vida pós(?) infância. A interrogação se refere ao fato de que eu tinha 11 anos - ou seja, tecnicamente ainda era criança, muito embora não parecesse uma. Engraçado que eu tinha certeza ABSOLUTA de que já era uma moça naquela época, mas enfim...

Foi em Novembro de 1993, na festa de aniversário de uma das minhas melhores amigas, que coincidia com o aniversário do rapaz em questão. Eu já o conhecia desde Agosto, o via todas as semanas quando ia na rua deles - eram vizinhos - ouvir música e jogar conversa fora. Achava aquela pessoa de cabelo enroladinho uma gracinha, e embora sonhasse com o momento em que viraria de fato uma mocinha, tendo namorado e tudo, não podia imaginar o que me aguardava ao chegar naquele quintal. Só eu não imaginava, todo mundo já tinha planejado TUDO.

Cheguei toda pimpona com minha calça boca de sino e minha bata cor de rosa - sim, eu era metida a mocinha, roqueira e hipponga. Mal cumprimentei as pessoas e já fui abordada por ele, que me parecia um pouco diferente naquela noite. Além de estar todo arrumadinho, com camisa e tudo mais - estava acostumada com ele de bermuda e camiseta - me tratava com um cuidado, como se fosse a primeira vez que me visse. Encostados no portão, engatamos a conversa ali mesmo.

Depois de duas horas em pé falando igual duas matracas, resolvemos nos sentar num sofá velho, no cantinho do quintal. Adivinha o que aconteceu então? Mais duas horas de conversa. Juro que não lembro de uma palavra, nem consigo imaginar o que uma menina de 11 anos e um rapaz de 17 tinham tanto pra conversar.

Eis que começa a tocar "Heal the World" do Michael Jackson. Como eu gostava muito da música, parei de falar por um instante. Foi então que eu percebi que o braço dele estava no meu ombro. Minha cabeça estava encostada no peito dele e eu podia ouvir o seu coração batendo bem rápido. O mundo parou. Eu senti minhas sempre salientes bochechas ficarem vermelhas de um jeito sem precedentes. De alguma maneira, ele sentiu a mesma coisa que eu, no mesmo momento. E numa sincronia que eu não sei bem explicar, fomos aos poucos virando os nossos rostos até que os lábios se encontraram.

A confusão estava feita. Confusão entre lábios, línguas, dentes, salivas... Que difícil coordenar tudo isso na primeira vez! Na televisão parecia tão simples! Confusão de sentimentos dentro de mim, parecia que ia explodir. E confusão na festa, que parou pra assistir ao beijo mais demorado da história das festinhas - quatro horas conversando?!? - e o interrompeu com uma tempestade de aplausos e gritos. O barulho me fez cair da nuvem e arregalar os olhos. Ao meu redor, dezenas de pessoas me olhando e aplaudindo. Não sabia se ria junto ou se me escondia. Acabei fazendo as duas coisas, rindo enquanto me escondia no abraço dele, agora completo e bem forte.

Eu e ele viramos namorados. Meu primeiro beijo já foi com o meu primeiro namorado. Isso foi muito romântico, bem a minha cara. Obviamente que o relacionamento não durou muito. Mas poxa vida, 2 meses pra uma pessoa daquela idade é ou não é bastante coisa?

Muitos outros meninos vieram depois. Muitos outros beijos também: os cheios de amor, os cheios de tesão, os que eu nem queria dar mas acabei gostando, os que eu imaginei muito e acabaram decepcionando, os proibidos, os escondidos, os exibidos, os tímidos, os que demoraram demais pra acontecer, e até os que não aconteceram, mas eu sei que teriam sido ótimos. Sempre disse, e repito, que prefiro abraços a beijos. Mas no fim das contas, beijar é mesmo bom demais.

Feliz Dia do Beijo pra vocês!
E não fiquem tristes se não tiverem ninguém pra celebrar com vocês hoje. Puxem da memória os melhores momentos e sejam felizes mesmo assim!

3 comentários:

Alex disse...

Bem, agora sei que, se você começar a entabular conversa com alguém por várias horas, com certeza terminará em beijo rssss...
Fiquei surpreso e lisonjeado por ter pontuado com louvor este seu "ranking" romântico. E em momento algum poderia sentir mágoa por algo que significasse tanto prá você. Porque o que sentimos um pelo outro transcende toda essa pequenez do cotidiano, essas objetividades e máscaras que anestesiam a nossa realidade...
Enfim, são tantas coisas prá dizer, porém tão óbvias entre nós, que seria descabido escrever neste espaço. Termino citando Oscar Wilde:
"Todo homem deseja ser o primeiro na vida de uma mulher; porém toda mulher deseja ser a última na vida de um homem".
Feliz dia(s) do(s) beijo(s) prá você também!

Juliana Teixeira disse...

♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

Que lindo!

Karlaguima disse...

Lindo texto juliana! E linda declaração de amor do seu Alex. Cheguei por aqui através do seu post sobre lost e a esperança, do qual tb gostei bastante. Parabéns!!!