quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Lost e a Esperança


Lost é minha série favorita por uma série de incontáveis motivos. São realmente muitos. O mistério me faz ficar (mais) ansiosa, as referências literárias, cinematográficas e científicas me fazem buscar novos conhecimentos, e por aí vai. Mas creio que, acima de tudo isso, o que me atrai são as relações humanas na trama. Os personagens são muito complexos, imperfeitos, de modo que é impossível não nos identificarmos com pelo menos alguns aspectos de cada um deles. E através destes personagens tão ricos, Lost trata de temas muito profundos e pertinentes, sem parecer piegas. Um deles é a Esperança.

Para os que acompanham a série, já dá pra notar desde a primeira temporada que a dicotomia Fé x Ciência é um dos temas recorrentes - e, por que não dizer, centrais - de toda a trama. John Locke (Man of Faith) e Jack Shephard (Man of Science) representam os dois extremos respectivamente. Bem, pelo menos até o fim da 4ª temporada, mas isso é uma outra história.

O fato é que a Esperança está intimamente ligada a esse conflito. Até que ponto o uso da razão se opõe ao exercício da esperança? A verdade é sempre o melhor caminho, mesmo se ela destrua por completo o único sentimento de alento que uma pessoa possa ter? Em vários momentos da série vimos essa questão aparecer.

Há um diálogo entre Jack e Christian Shephard, no episódio cujo título é justamente Man of Science, Man of Faith - o 1º da segunda temporada, em que o pai chama a atenção do filho sobre o modo como ele deu uma notícia catastrófica à sua paciente (que mais tarde se tornaria sua esposa):

C: Poderia tentar dar alguma esperança de vez em quando? Mesmo se há 99% de probabilidade de que estejam definitivamente ferrados, as pessoas estão mais inclinadas a ouvir sobre aquele 1% de chance de que as coisas ficarão bem.

J: Sua espinha foi esmagada. Se eu disser que tudo vai ficar bem, isso é falsa esperança, pai.

C: Talvez. Talvez. Mas ainda assim é esperança.

No episódio Orientation, o 3º da segunda temporada, há um dos grandes embates entre Locke e Jack:


L: Por que é tão difícil para você crer?

J: Por que é tão fácil pra você?

L: Nunca foi fácil!

De fato, nem sempre ter esperança é fácil. Mas em muitas situações, ela é a
única possibilidade. É a única força capaz de fazer com que as pessoas continuem tentando. Como Sun esconde a garrafa com as mensagens enviadas junto com a jangada, para que o resto do grupo não saiba que a tentativa de resgate falhou. Como quando Claire observa o vôo das aves e se esforça até mandar uma mensagem através delas, esperando que em algum lugar do mundo, alguém possa saber que o vôo Oceanic 815 tem sobreviventes e, quem sabe, mandar o tão desejado resgate.

Através de diálogos muito inspirado, Lost sempre acaba mostrando que a Esperança é um dos bens mais preciosos que um ser humano pode ter - posição da qual eu partilho. Ela independe da religião, da orientação filosófica, da cultura. Esperança é a própria essência da vida humana. Exatamente por isso, uma das frases que mais me marcaram na série foi esta dita por Sayid, ainda na primeira temporada:

A esperança é uma coisa muito perigosa de se perder.

Texto inspirado por este post do Blog Teorias Lost.

2 comentários:

Leco Leite disse...

Nossa! Excelente!!!

Essa Ju, quando escreve, detona!!

Parabéns, moça!!

Lucas Rodrigues disse...

Muito bom texto!
Lost é muito mais que umas "pessoinhas" perdidas numa ilha! A Esperança com certeza é uma das principais essencias da série!
Valeu!
;D