quinta-feira, 26 de março de 2009

Licenciatura (ou Devagar e Sempre)

Depois de um longo, tortuoso, doloroso e cansativo caminho, eu finalmente consegui concluir o Bacharelado em Letras. Sim, eu agora sou formada, e por uma das melhores universidades do país! U-hu, yeah-yeah, muita comemoração... Só tem um pequeno detalhe: para quem estuda Letras na Universidade de São Paulo, concluir a faculdade é algo muito, muito, muito relativo. Mesmo.

Nós fazemos o Bacharelado - que no manual da Fuvest consta como tendo 4 anos de duração, mas ninguém em seu estado de sanidade mental consegue fazer em menos de 5 ou 6 - e temos de dar um jeito de fazer caber a Licenciatura na grade horária. É claro que, na maioria das vezes, isso é impossível (a não ser que você não precise trabalhar e posa se dedicar à faculdade em período integral). A consequência disso é que muita gente deixa para cursar a Licenciatura depois que acaba o Bacharelado - esse é o meu caso.

Lado bom: dedicação exclusiva às disciplinas da Pedagogia e aos estágios (aliás, como é que eu vou fazer isso, hein? Preciso de uma Estação Orquídea para aprender a manipular o espaço/tempo).

Lado ruim: mais, no mínimo, dois anos de faculdade. Para os mais atarefados, como eu, pode levar até 3 anos e meio.

Quando conto isso para as pessoas, elas acham que eu estou de brincadeira. É sério, eu sei que é difícil de acreditar que um curso de Letras possa durar 10 anos, mas pode. E sabe o que é o mais incrível?
  • Apesar dessa sensação de que eu nunca vou acabar de vez essa faculdade;
  • Apesar de estar louca pra entrar de cabeça na profissão que eu escolhi pra mim;
  • Apesar de esperar ansiosamente pelo dia em que poderei voltar pra casa depois de um dia de trabalho e ficar com a minha família, ao invés de me amassar dentro de um Butantã-USP;
  • Apesar de eu não querer mais ir dormir à 1 da manhã para acordar às 5 no dia seguinte;
Eu estou AMANDO a Licenciatura! Sinceramente, este semestre - a exemplo do que aconteceu no ano passado com as Literaturas Africanas - está fazendo valer a pena cada gota de suor e de lágrima derramadas desde 2001. Estudar a História da Educação está sendo incrível e muito esclarecedor, além de me fazer ter ainda mais certeza de que eu escolhi o caminho certo. Isso sem contar que, em apenas um mês de aula, a minha veia revolucionária está pra lá de aflorada. Ler Paulo Freire só vai fazer com que eu me revolte ainda mais, lute ainda mais e, principalmente, acredite ainda mais na profissão docente.

Enfim, valeu a pena toda a paciência. Venci uma etapa e estou apenas começando outra. Minha perseverança já está sendo recompensada, e eu tenho fé de que a tendência é só melhorar. Mundo, me aguarde!

3 comentários:

Pedro disse...

Parabéns!!!! ;D Vale sempre a pena o esforço, e ainda bem que gostas!

Anônimo disse...

Você é foda.

Marcos Vinicius Gomes disse...

Esse é um problema de Letras...até em concursos a bibliografia parece uma coisa de outro mundo, enquanto Geografia, História ou exatas tem livros numa quantidade infinitamente menor para se ler. Que loucura, mas vale a pena!