***Prólogo***
Depois da passagem relâmpago por Curitiba, eu migrei pro
Sul. Numa manhã extremamente nublada, quando todos os vôos do Aeroporto Afonso
Pena eram cancelados ou adiados, o único que saiu no horário previsto foi o meu.
Sou supersticiosa e pra mim aquilo foi um excelente presságio.
Chegando em Porto Alegre, uma pequena confusão pra encontrar
o Fabiano – eu no aeroporto velho, ele no novo. Algumas ligações depois,
conseguimos nos achar e ficou tudo bem.
(((PARÊNTESES)))
Quando os shows do Pearl Jam no Brasil foram anunciados e
eu vi a lista de cidades, tinha duas certezas: 1 – Eu veria TODOS os shows; 2 –
Eu já tinha onde ficar em Porto Alegre. Não, não tenho nenhum parente lá, mas
tinha o Fabiano (ou
@bonfiglio, como o conheci, também através do Twitter). Eu
tenho muita pena de quem acha mesmo que na internet só tem gente estranha e
perigosa. Quem nunca fez um amigo virtual virar real não sabe o que tá
perdendo. E o Fabiano é uma versão minha, só que homem, gaúcho e colorado.
Reservei passagens e programei três dias na casa do desconhecido mais conhecido que já
tive, com a certeza absluta de que seria muito bem recebida. Ele me hospedou, me levou pra conhecer um pouco da
cidade, me emprestou a filha caçula (Mel, essa linda, me apaixonei) enquanto eu
estava longe dos meus e ainda foi ao show comigo. Aconteceram tantas coisas
especiais nos dias que passei com a família Bonfiglio que os relatos da jornada
merecem um spin-off.
(((FECHA PARÊNTESES)))
Cheguei numa quinta chuvosa e o show foi só na sexta. Ainda
bem, pois deu tempo do clima melhorar. E o destino fez com que a Mel nos
acompanhasse. Tudo conspirando para uma noite inesquecível.
***Dia 5***
Cheguei cedo nos arredores do estádio, pois ainda tinha que
comprar o ingresso da Mel. Fiquei observando bem tudo ao meu redor. Pela
primeira vez desde que começou o assunto Peral Jam no Brasil, eu não estava
ansiosa. Pelo contrário, queria que tudo aquilo demorasse muito a passar.
Conheci o simpático Estádio do Zequinha, casa do São José, que
está para Porto Alegre mais ou menos como o Juventus da Moóca está para São
Paulo. Impossível não lembrar da Carol, que tem toda uma história de família
ligada àquele lugar J
Entramos e o frio bateu. Pude usar minha outra camisa xadrez
de estimação. Sentamo-nos e ficamos conversando até chegar perto do show
começar. Eu estava bem decidida a manter aquele clima leve até o fim da
apresentação. Queria curtir, contemplar, me divertir, e de preferência sem
chiliques. Afinal de contas, o que mais eles poderiam fazer no setlist para me
deixar fora da casinha? Mais uma vez, felizmente, eu estava enganada.
O show começou com Why Go, e o Jeff em destaque logo de
cara. Muito amor. Enquanto rolaram as músicas “de sempre”, eu tava muito firmo
no meu propósito de ficar apenas feliz. Então começou Low Light, a primeira
surpresa, e eu já fiquei um pouco abalada, mas nada que me derrubasse. Wishlist,
pode riscar mais uma.
No entanto, mais pra metade do show, vei a música que é *só*
a maior lição que essa banda me ensinou: Present Tense. Minha primeira reação
ao ouvir os acordes iniciais foi imaginar a felicidade dos amigos, aqueles com
quem estive em Curitiba. Quando o chegou o refrão, eu desabei. Chorei de lavar a alma. “Makes
much more sense to live in the present tense” era tudo o que eu precisava ouvir
ali, naquele momento, naquele lugar.
Present Tense terminou e eu não tinha conseguido me recuperar,
quando começou Daughter. E aí quem desmontou foi o Fabiano, e ficamos lá
abraçados e chorando. Projeto Manter a Pose: FAIL.

Pra me lembrar que meus desejos estavam sendo atendidos,
rolou
Wishlist novamente. E o primeiro encore foi encerrado com
Black (versão
We Belong Together). Essa é, talvez, a música mais óbvia em um setlist de Pearl
Jam. Eu já tinha visto em todos os outros shows. Mas ainda assim, ali, eu sabia
que era uma despedida. E chorei. Muito.
Mas o melhor ainda estava por vir. No segundo encore, Eddie
Vedder dá o seguinte aviso: “This is a request”. Minhas pernas tremeram, porque
lá na frente estavam meus amigos com um cartaz escrito SMILE, música que a Clau
queria como presente de aniversário. Eu pensei que eles fossem tocá-la, quando
um pequeno silêncio instaurou-se. Eddie contou até três e... Hold on to the thread, the currents will
shift... Sim, eles estavam tocando Oceans! OCEANS! O-C-E-A-N-S! Se tem
uma música que eu jamais pensei que poderia ouvir ao vivo, era essa. E ela é
importante DEMAIS na minha vida, desde sempre. Eu ajoelhei e ouvi a primeira
parte chorando, de olhos fechados. Um dos momentos mais emocionantes da minha
vida para todo o sempre.
Quando eu achava que nada mais poderia acontecer, eles
tocaram Light Years, outro pedido forte da minha Wishlist. E eu emendei o choro
de Oceans que ainda não tinha acabado direito. Virei praticamente a Alice
flutuando nas próprias lágrimas.
Dali pra frente foi um misto de alegria e saudade. Já sabia
que o fim estava próximo, e não queria que isso acontecesse. Então decidi valer
cada segundo valer a pena. Isso incluiu cantar e dançar com os braços abertos
em... Last Kiss. Pois é.
Antes do fim ainda teve Crazy Mary, mais uma surpresinha. E
o "até breve" foi mesmo Yellow Ledbetter, com direito a um trecho de Little Wing
antes de McCready ir embora e o palco ficar vazio.
***Epílogo***
Esse foi, sem dúvidas, e de longe, o melhor show da minha
vida. E tenho certeza absoluta que só poderá ser superado pelo próprio Pearl
Jam, quando eles voltarem. E eu sei que eles vão voltar. Sei também que até lá
eu terei condições de fazer tudo de novo. Tudo mesmo.
Ainda tive tempo de dormir, acordar no dia seguinte com
mousse de maracujá na cama e o clipe de Oceans na TV. Passear pela cidade que
eu sempre quis conhecer, e que de alguma maneira eu sabia que me faria sentir
em casa. O day after foi tão lindo quanto o próprio dia do show, e minha
jornada acabou com o nascer de sol mais lindo do mundo, no domingo de manhã.
A quem me ajudou, a quem me acolheu, a quem esteve comigo e
a quem torceu por mim, eu agradeço do fundo do meu coração. Foram dias que
fizeram minha vida simples virar uma história muito boa ser lembrada e contada.
I miss you already.
***Ficha Técnica***
Quando: Sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Onde: Estádio do Zequinha, Porto Alegre
O que: