terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Reto entre tudo que há de incerto em mim


Então você passa a vida imaginando e procurando a pessoa certa. Faz um monte de bobagens, se engana, se entrega, sofre, começa tudo de novo. Acaba ficando experiente nessa história de se reencontrar. E enxergar novas possibilidades que, embora distantes daquilo que você planejava, têm chances de se transformarem em coisas muito boas.

O que você não esperava, embora quisesse, é que a pessoa certa apareceria. Na sua cabeça, ela era apenas um ideal. Um paradigma que você criou para confrontar com a (quase sempre dura) realidade. A vida te ensinou a caminhar, e não a chegar ao destino. E é por isso que tudo o que deveria lhe trazer paz, agora causa medo. Sua única certeza, a de sempre correr atrás e nunca alcançar, sumiu.

Tão acostumada a procurar, não sabia o que fazer quando finalmente encontrou.

Não era pra ser tão difícil.

Sempre Te Quis by Os Paralamas Do Sucesso on Grooveshark





terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Nothing you would take, everything you gave.

Eu poderia escrever sobre a sua luta e o exemplo que você deu pra todo mundo. Poderia dizer sobre sua extrema generosidade, como você sempre sabia o que eu estava sentindo, e estava lá pra me colocar de pé quando eu queria ajoelhar. Poderia também falar sobre o monte de coisas que a gente ia fazer juntos. Mas você sabe de tudo isso, e eu também. Prefiro apenas te dizer que você fez a diferença na minha vida inúmeras vezes, e vai fazer muita falta, Ale. Minha esperança e meu amor estarão com você pra sempre. O resto, deixo pro Eddie dizer.



PS: Prometo colocar meu maior sorriso, o que você tanto gostava, de volta no rosto. Logo, logo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dia 5 - The next time we touch


***Prólogo***

Depois da passagem relâmpago por Curitiba, eu migrei pro Sul. Numa manhã extremamente nublada, quando todos os vôos do Aeroporto Afonso Pena eram cancelados ou adiados, o único que saiu no horário previsto foi o meu. Sou supersticiosa e pra mim aquilo foi um excelente presságio.

Chegando em Porto Alegre, uma pequena confusão pra encontrar o Fabiano – eu no aeroporto velho, ele no novo. Algumas ligações depois, conseguimos nos achar e ficou tudo bem.

(((PARÊNTESES)))
Quando os shows do Pearl Jam no Brasil foram anunciados e eu vi a lista de cidades, tinha duas certezas: 1 – Eu veria TODOS os shows; 2 – Eu já tinha onde ficar em Porto Alegre. Não, não tenho nenhum parente lá, mas tinha o Fabiano (ou @bonfiglio, como o conheci, também através do Twitter). Eu tenho muita pena de quem acha mesmo que na internet só tem gente estranha e perigosa. Quem nunca fez um amigo virtual virar real não sabe o que tá perdendo. E o Fabiano é uma versão minha, só que homem, gaúcho e colorado. Reservei passagens e programei três dias na casa do desconhecido mais conhecido que já tive, com a certeza absluta de que seria muito bem recebida. Ele me hospedou, me levou pra conhecer um pouco da cidade, me emprestou a filha caçula (Mel, essa linda, me apaixonei) enquanto eu estava longe dos meus e ainda foi ao show comigo. Aconteceram tantas coisas especiais nos dias que passei com a família Bonfiglio que os relatos da jornada merecem um spin-off.
(((FECHA PARÊNTESES)))

Cheguei numa quinta chuvosa e o show foi só na sexta. Ainda bem, pois deu tempo do clima melhorar. E o destino fez com que a Mel nos acompanhasse. Tudo conspirando para uma noite inesquecível.

***Dia 5***


Cheguei cedo nos arredores do estádio, pois ainda tinha que comprar o ingresso da Mel. Fiquei observando bem tudo ao meu redor. Pela primeira vez desde que começou o assunto Peral Jam no Brasil, eu não estava ansiosa. Pelo contrário, queria que tudo aquilo demorasse muito a passar.

Conheci o simpático Estádio do Zequinha, casa do São José, que está para Porto Alegre mais ou menos como o Juventus da Moóca está para São Paulo. Impossível não lembrar da Carol, que tem toda uma história de família ligada àquele lugar J

Entramos e o frio bateu. Pude usar minha outra camisa xadrez de estimação. Sentamo-nos e ficamos conversando até chegar perto do show começar. Eu estava bem decidida a manter aquele clima leve até o fim da apresentação. Queria curtir, contemplar, me divertir, e de preferência sem chiliques. Afinal de contas, o que mais eles poderiam fazer no setlist para me deixar fora da casinha? Mais uma vez, felizmente, eu estava enganada.

O show começou com Why Go, e o Jeff em destaque logo de cara. Muito amor. Enquanto rolaram as músicas “de sempre”, eu tava muito firmo no meu propósito de ficar apenas feliz. Então começou Low Light, a primeira surpresa, e eu já fiquei um pouco abalada, mas nada que me derrubasse. Wishlist, pode riscar mais uma.

No entanto, mais pra metade do show, vei a música que é *só* a maior lição que essa banda me ensinou: Present Tense. Minha primeira reação ao ouvir os acordes iniciais foi imaginar a felicidade dos amigos, aqueles com quem estive em Curitiba. Quando o chegou o refrão, eu desabei. Chorei de lavar a alma. “Makes much more sense to live in the present tense” era tudo o que eu precisava ouvir ali, naquele momento, naquele lugar.

Present Tense terminou e eu não tinha conseguido me recuperar, quando começou Daughter. E aí quem desmontou foi o Fabiano, e ficamos lá abraçados e chorando. Projeto Manter a Pose: FAIL.

Pra me lembrar que meus desejos estavam sendo atendidos, rolou Wishlist novamente. E o primeiro encore foi encerrado com Black (versão We Belong Together). Essa é, talvez, a música mais óbvia em um setlist de Pearl Jam. Eu já tinha visto em todos os outros shows. Mas ainda assim, ali, eu sabia que era uma despedida. E chorei. Muito.

Mas o melhor ainda estava por vir. No segundo encore, Eddie Vedder dá o seguinte aviso: “This is a request”. Minhas pernas tremeram, porque lá na frente estavam meus amigos com um cartaz escrito SMILE, música que a Clau queria como presente de aniversário. Eu pensei que eles fossem tocá-la, quando um pequeno silêncio instaurou-se. Eddie contou até três e... Hold on to the thread, the currents will shift... Sim, eles estavam tocando Oceans! OCEANS! O-C-E-A-N-S! Se tem uma música que eu jamais pensei que poderia ouvir ao vivo, era essa. E ela é importante DEMAIS na minha vida, desde sempre. Eu ajoelhei e ouvi a primeira parte chorando, de olhos fechados. Um dos momentos mais emocionantes da minha vida para todo o sempre.

Quando eu achava que nada mais poderia acontecer, eles tocaram Light Years, outro pedido forte da minha Wishlist. E eu emendei o choro de Oceans que ainda não tinha acabado direito. Virei praticamente a Alice flutuando nas próprias lágrimas.

Dali pra frente foi um misto de alegria e saudade. Já sabia que o fim estava próximo, e não queria que isso acontecesse. Então decidi valer cada segundo valer a pena. Isso incluiu cantar e dançar com os braços abertos em... Last Kiss. Pois é.

Antes do fim ainda teve Crazy Mary, mais uma surpresinha. E o "até breve" foi mesmo Yellow Ledbetter, com direito a um trecho de Little Wing antes de McCready ir embora e o palco ficar vazio.

***Epílogo***

Esse foi, sem dúvidas, e de longe, o melhor show da minha vida. E tenho certeza absoluta que só poderá ser superado pelo próprio Pearl Jam, quando eles voltarem. E eu sei que eles vão voltar. Sei também que até lá eu terei condições de fazer tudo de novo. Tudo mesmo.

Ainda tive tempo de dormir, acordar no dia seguinte com mousse de maracujá na cama e o clipe de Oceans na TV. Passear pela cidade que eu sempre quis conhecer, e que de alguma maneira eu sabia que me faria sentir em casa. O day after foi tão lindo quanto o próprio dia do show, e minha jornada acabou com o nascer de sol mais lindo do mundo, no domingo de manhã.

A quem me ajudou, a quem me acolheu, a quem esteve comigo e a quem torceu por mim, eu agradeço do fundo do meu coração. Foram dias que fizeram minha vida simples virar uma história muito boa ser lembrada e contada.

I miss you already.

***Ficha Técnica***

Quando: Sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Onde: Estádio do Zequinha, Porto Alegre
O que:



Dia 4 - All around me was enlightened

***Prólogo***

O dia 9 de novembro de 2011 começou todo torto. Muitas coisas dando errado em casa, minha mãe com um problema sério de saúde... Cheguei a pensar em desistir de partir pra Curitiba. Porém, graças ao meu pai, que segurou toda a barra, eu pude embarcar tranquila naquele avião. Bem, não tão tranquila assim, já que cheguei atrasada no aeroporto, a fila estava imensa, etc. Mas o importante é que no final deu tudo certo. MUITO certo.

Dessa vez eu não fui sozinha. Babi e Diego estavam ao meu lado e demos muita risada no vôo. Também conhecemos juntos o famoso ponto de ônibus em forma de tubo da capital do Paraná antes de seguirmos aos nossos destinos – eles para o hotel, eu para a casa da Nah e do Drico.

(((PARÊNTESES)))
Nah e Drico são um casal lindo, lindo, lindo que eu conheci no Twitter. Na verdade, conheci primeiro a Nah, santista roxa que nem eu, e acompanhei via internet seus preparativos pro casamento. Os dois se ofereceram pra me receber em Curitiba assim que souberam que eu estaria por lá, e foram ainda mais lindos na vida offline do que na online. Ainda conheci a Sookie, cachorrinha deles que dormiu comigo (nhoooooooim) e ficou dançando na minha mala. Preciso muito voltar lá com mais tempo pra curtir todo mundo direito. Mesmo tendo sido rapidinho, amei tudo. Obrigada :)
(((FECHA PARÊNTESES)))

Depois de um lanche reforçado e muita comemoração pelo anúncio da permanência de Neymar no Santos até 2014, parti para o próximo encontro.

***Dia 4***

A qualidade não tá lá essas coisas, mas o importante é a
prova do crime!
Cheguei relativamente cedo ao estádio, apesar de ter me perdido (claro) e passeado por um bom pedaço de Curtiba. O local era pequeno, e eu ficaria na pista premium – graças à empolgação e à generosidade da Babi -, portanto tinha uma ideia fixa: VER A BANDA. Porque até então eu tinha curtido os shows, mas visto formigas e/ou o telão, quando não ficava sem ver nada mesmo. Encontrei a turma e conseguimos ficar bem perto da grade. E sim, eu os vi de pertinho *.*

A emoção já começou no show da banda de abertura, X. Eu não tinha conseguido vê-los em nenhum dos três shows anteriores, e até achei legal. Mas não tinha jeito, precisava ver imediatamente o Pearl Jam, estava ansiosa demais pra prestar atenção em qualquer outra coisa. Entretanto, qual não é a nossa surpresa quando Eddie Vedder entra no palco para canter com eles a última música do show? Ah, foi lindo vê-lo de perto pela primeira vez! Mas isso era só o tira-gosto.

Mais uma vez começamos com Go. Realmente é muito emocionante estar lá na frente na hora da avalanche humana. Pena que sempre tem uns imbecis que querem ir na grade de um show de rock sem serem tocados por ninguém. Um desses grandes cretinos tentou melar nossa alegria, mas não conseguiu.

O setlist seguiu bem parecido com os anteriores, e ansiedade era pelas famosas surpresinhas, aquelas músicas que eles sempre mudam de um set para o outro. Confesso que estava um tanto cética e já conformada com o fato de que não ouviria a maior parte da minha Wishlist, afinal de contas, já era o pênultimo show, havia pouco tempo. Ainda bem que eu errei.

Confesso que tudo mais o que aconteceu naquela noite está um pouco apagado da minha memória, porque os momentos mais emocionantes foram MUITO emocionantes. Arrebatadores, eu diria:

  • Dissident – Lembro de cada instante do silêncio que precedeu a música, e de cada batida da bateria na introdução. Foi nesse instante em que eu arregalei os olhos, mas foi com a guitarra do McCready que eu abri, como disse a Babi, o maior sorriso do mundo. Nem chorei, só cantei com todas as minhas forças, olhei pro céu e agradeci por mais este sonho realizado.
  • In Hiding – Essa, junto com Dissident, era provavelmente a música que eu mais desejava escutar nesta turnê. Mas nem nos meus melhores sonhos as duas estariam no mesmo setlist. A comoção foi geral entre as pessoas com quem eu estava, e mais uma vez eu só pude olhar pro céu e agradecer por aquilo estar acontecendo. It’s funny when things change so much, it’s all state of mind.
  • Breath – Surpresa das grandes, já que essa música não costuma ser executada com tanta frequência. E é maravilhosa. E já foi trilha sonora de momentos importantes da minha vida. E eu pulei, gritei, urrei como se não houvesse amanhã.
  • Off He Goes – Nunca fui a maior fã dela, mas naquele contexto me soou muito especial. Isso porque ela sempre me lembrou a Clau, que estava ao meu lado neste show em Curitiba. Lembro de tê-la abraçado quando a música começou como quem comemora um gol.
  • Footsteps – Outra enorme surpresa. Também não era da minha Wishlist, mas ver Eddie Vedder cantando essa música ao vivo, bem na sua frente, provoca uma catarse TÃO GRANDE que é até difícil explicar. Lembro de ter olhado para o telão no momento em que a câmera focalizou uma garota que, aos prantos, dizia “Eu não acredito que isso está acontecendo”. Lindo.

Babi e eu, no aperto e na espera :)
De um modo geral, eu achei o público de Curitiba bem mais frio que os outros. No entanto, a banda deve ter discordado de mim, pois não só capricharam no setlist como Eddie Vedder brindou a galera com vários mimos. Primeiro ele desceu ao vão entre público e palco, passando, portanto, MUITO PERTO DE MIM. Sim, ele existe. Aparentemente é de carne e osso, mas eu ainda desconfio que seja divino. Depois, ele distribuiu muitos pandeiros para o público da grade. Lógico que eu morro de inveja de quem tem esta relíquia, mas fico sinceramente emocionada pela alegria nos rostos das pessoas que receberam a dádiva. Eu os entendo.

Saí do Estádio do Paraná Clube suada, fedida, descabelada e feliz como poucas vezes tinha sido. Foi um marco ter visto duas das músicas mais importantes da minha vida. Mas mais importante ainda foi ter visto um show do Pearl Jam com as pessoas que Pearl Jam trouxe pra minha vida.

***Epílogo***

A volta pra casa da Nah e do Drico foi outra mini-aventura, porque eu vaguei mais de uma hora, na madrugada, por uma cidade que eu desconheço, até encontrar um taxi. Mas eu tava tão feliz que teria andado até Porto Alegre – onde, aliás, minha jornada terminou de maneira épica num nível Lost. Mas isso é assunto pro próximo capítulo.

***Ficha Técnica***

Quando: Quarta-feira, 09 de novembro de 2011
Onde: Estádio do Paraná Clube, Curitiba
O que:


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dia 3 - Into the sun

***Prólogo***

Esta foi minha primeira viagem de avião. E não podia ter motivo ou destino melhores. O Rio de Janeiro é o maior clichê da História da humanidade, porque é simplesmente impossível passar por ele sem dizer "Que lugar MARAVILHOSO!!!!". Devo mais isso ao Pearl Jam: um dos fins de semana mais divertidos da minha pacata vida, num lugar abençoado, com comes e bebes deliciosos e cercada por pessoas queridas.

***Dia 3***

Eu já esperava por um show acima da média - e olha que a média, para o Pearl Jam, já é a perfeição. Isso porque o lugar é inspirador, e as pessoas estavam muito no clima de fazer um lindo espetáculo. Não deu outra: o maior setlist da turnê brasileira (até agora) e todas as 40 mil pessoas que lotaram cada cantinho da Apoteose numa sintonia perfeita. A banda, claro, percebeu isso e fez questão de deixar bem claro o quão felizes estavam.

A recompensa veio num repertório cheio de músicas inéditas nessa turnê, incluindo várias surpresas como Immortality, Last Exit, Blood, Habit. Indifference me deixou tão chocada que eu ainda estou duvidando que isto aconteceu, ainda mais por ter rolado no fim do show. Surpresa total.

Mas a dobradinha covarde da noite, aquela pra selar a paz entre árabes e israelenses de tanto amor que emanou, foi Nothingman seguida por Faithful. Cantar "into the sun... into the sun..." no Rio de Janeiro, depois de um dia incrível, foi quase cinematográfico. E eu, que estava super segura achando que não teria mais chiliques, acabei chorando no ombro do meu amigo.

(((PARÊNTESES)))
Este na foto é o Roger, amigo virtual que conheci em 2005, por ocasião do show ao qual eu não fui. Demorou todo este tempo pra que nos conhecêssemos pessoalmente, e não podia ter sido numa ocasião melhor. Bota na conta do Pearl Jam mais esse momento especial.
(((FECHA PARÊNTESES)))

Ver o show do alto da arquibancada até que foi muito bom. Pude dançar, pular, cantar, rodopiar e ouvir nitidamente o som. Apesar de estar bem longe, pude aproveitar mais do que os dois anteriores. E de brinde levei a vista inacreditável do público na pista. Tava tão bonito que, em certos momentos, tive dúvida entre olhar para o palco ou para a platéia. Até o presente momento, o melhor show da minha vida.

***Epílogo***

O fim de semana passou voando, o show passou voando, mas essa tarde de segunda-feira não acaba de jeito nenhum. E ainda tem mais um longo dia de serviço antes do próximo show, dia 09, em Curitiba. Estou muito ansiosa pra ir pras últimas apresentações, mas já com dó de chegar ao final.

***Ficha Técnica***

Quando: Domingo, 06 de novembro de 2011
Onde: Praça da Apoteose, Rio de Janeiro
O que:


Dia 2 - I have a soul that has been saved


***Prólogo***

Depois da crise histérica do fim da noite anterior, a expectativa era de que hoje eu estivesse mais relaxada e pronta pra curtir o espetáculo. De fato, passei o dia muito bem, e nem fiquei mal com o fato de ter que sair do trabalho apenas 1h30 antes do horário previsto pro show. E quem já esteve em São Paulo sabe que 90 minutos quase nem caracterizam antecedência, ainda mais numa sexta à noite.

O trajeto foi complicado. Andamos um montão, pegamos o tradicional e pavoroso trânsito. Simultaneamente, em casa, todo tipo de imprevisto. O resultado foi um casal alucinado ao telefone orientando uma dupla de púberes impacientes enquanto observava o mar de luzes vermelhas. Mas conseguimos chegar a tempo e eu estava calma. Deve ser a continuação do milagre de ontem.

***Dia 2***

Desta vez eu fui devidamente uniformizada. Usei a camisa de flanela e a camiseta do Pearl Jam que estão comigo desde 1993, só esperando a chance de me abraçarem enquanto vejo o show da minha vida. E, diferente da noite anterior, quando passei a apresentação toda sozinha, dessa vez tive excelente companhia.

De modo geral, o show de hoje foi MUITO melhor que o de ontem. Estádio cheio, e cheio de gente que realmente QUERIA ver e ouvir a banda. Senti-me acolhida, não só pelos outros fãs, que me entendiam e não mais me olhavam como se eu fosse um e.t., mas principalmente pelo Alex. Ele segurou minha onda e curtiu cada segundo como se Pearl Jam fosse também a banda da vida dele.

O show que não vi em 2005 começou com Go. Como Deus (Eddie Vedder) é justo, tive a chance de ver isso agora. Impressionante o meu condicionamento físico. Pra subir escada eu faço drama, pra pular enlouquecidamente no show a coisa rola naturalmente.

Ouvi novamente Elderly Woman, e me emocionei ainda mais do que ontem. Não consigo dizer muito bem porque, mas sei que tinha lágrima nos olhos quando ela terminou, e desabei com Given To Fly na sequência. Aliás, lembrei de tanta gente querida neste momento que eu desejei ter braços de 2 km pra poder abraçar todo mundo ao mesmo tempo. Esta, inclusive, é uma das favoritas da minha mãe, que estava nas arquibancadas do Morumbi com o meu irmão. Sim, minha família é o máximo.

Demorei quase um minuto pra acreditar que era mesmo State of Love and Trust. Sem dúvidas foi a maior surpresa pra mim. Rolaram mais duas músicas do Abacate e eu tô muito feliz com isso, porque acho o disco bacana e me agrada a preocupação deles em tocarem músicas inéditas pra gente. Uns lindos.

Meu ponto alto foi Amongst The Waves. Essa música, apesar de novinha, é muito especial pra mim, tanto quanto aquelas de anos atrás. Segundo pedido atendido da minha Wishlist – que, aliás, também rolou J.
O encerramento foi mais épico do que eu poderia imaginar. Quando achei que já não podia ser melhor do que fechar a noite com Baba O’Riley (The Who, gente, THE WHO!!!!!), eles ainda emendam Yellow Ledbetter. Quem nunca sonhou em embromar cantar essa música no fim de um show não é fã de Pearl Jam. Lindo, lindo, lindo.

Mais lindo do que isso só o depoimento do Eddie Vedder sobre a banda X – que eu consegui perder de novo, parabéns pra mim. Vê-lo emocionado contando sobre sua aventura na adolescência, quando teve que falsificar um RG pra poder entrar no clube onde o X se apresentava, foi a melhor parte da turnê até agora. Sinto um orgulho tremendo de ter como ídolos músicos tão humildes, que não esquecem como é ser um fã. É por isso que eles são a melhor banda do mundo.

***Epílogo***

Escrevo este relato no saguão do Aeroporto de Guarulhos, enquanto espero o vôo que me levará ao próximo show da turnê brasileira, no Rio de Janeiro. Terei uma noite de descanso pra colocar a coluna no lugar, e amanhã tem mais ;)

***Ficha Técnica***
Quando: Sexta-feira, 04 de novembro de 2011
Onde: Estádio do Morumbi, São Paulo
O que:

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Dia 1 - I Believe in Miracles

***Prólogo***

Quando o Pearl Jam anunciou a turnê pelo Brasil, eu corri pra comprar os ingressos de todos os quatro shows, em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Esperei um mês pra comprar as passagens e fiz uma dívida sem precedentes na minha vida de mãe e dona de casa. Até então, isso só existia para comprar, sei lá, fogão e máquina de lavar.

Depois do orçamento severamente comprometido, a banda vai lá e anuncia um show extra, UM DIA ANTES DO PRIMEIRO SHOW DA TURNÊ. Não pude comprar o ingresso, e passei meses remoendo a ideia de que, mais uma vez, a banda se apresentaria aqui na minha cidade e eu não veria.

Até que ontem, dia do show extra, eu apelei ao mantra I Believe in Miracles. E não é que ele aconteceu? Mais uma vez meus anjos da guarda, também conhecidos como pais do Arthur, me deram de presente um sonho a ser realizado. E foi assim que eu saí pro almoço às 13h agoniada e voltei pro escritório às 14h pulando, gritando e distribuindo abraços.

***Dia 1***

Chegamos ao Morumbi em cima da hora. Entrei correndo no estádio, driblando o pessoal sossegado mais do que o Neymar contra o Atlético-PR. Quando pus os pés na pista e vi o palco, meu cérebro não processou a informação. Estado de choque. Anda pra lá, anda pra cá, procura um lugar de onde dê pra ver o telão (já que o palco eu nunca vejo mesmo). E a torturante espera. Trinta minutos de atraso que foram mais ou menos assim:

T
.
.
.
R
.
.
.
.
I
.
.
.
.
N
.
.
.
.
T
.
.
.
.
A

Demorou demais. Mas chegou. Os acordes começaram, as luzes apagaram. Reconheci Release e cadê a voz pra gritar junto nesse momento de libertação? Sumiu. Só consegui chorar. E chorar. E chorar mais um pouco. Ainda bem que deu tempo de recuperar o fôlego pro que vinha a seguir. Corduroy está na pele, e com ela sim eu comecei a pular, cantar, dançar, gritar, aplaudir... No meio de um monte de gente que me olhava como se eu estivesse nua. Desculpa, gente, não consigo evitar: quando estou feliz, pareço louca.

(((PARÊNTESES)))
Eu poderia falar do quanto as pessoas são mal educadas e atrapalham quem realmente quer ver o show, e da avalanche de ódio que senti por todas elas, mas não vou quebrar a magia do momento. Um dia falarei só disso. Por ora, vou focar no que interessa.
(((FECHA PARÊNTESES)))

Claro que eu gostei de todas as músicas. Claro que cantei Alive, Even Flow e Daughter, mesmo estando enjoada delas e dos modinhas que conhecem SÓ ELAS. Mas teve I Believe in Miracles, pra coroar a vibe do dia. E teve Come Back, primeiro pedido realizado da minha Wishlist. E o segundo pedido realizado foi um caso à parte...

Rearviewmirror. A música que me manteve de pé quando eu queria ajoelhar. A música que mudou minha vida. Chorei tanto tanto tanto tanto tanto (ad infinitum) que estranhos se aproximaram e perguntaram se eu precisava de ajuda. Até abraço eu ganhei. Top 5 momentos da vida, sem dúvidas. E ali eu entendi que jamais poderia ter visto o show de 2005 grávida de 9 meses. No primeiro acorde dessa música, Giovanni seria ejetado da minha barriga para a arquibancada do Pacaembu. Emoção demais.

***Epílogo***

Hoje à noite tem mais. Acho que será muito melhor, com aquelas músicas que não tocavam na 89FM e que o universo deveria conhecer pra que a vida fosse mais digna, sabe? Ah, e espero que o público se comporte melhor também.

***Ficha Técnica***


Quando: Quinta-feira, 03 de novembro de 2011
Onde: Estádio do Morumbi, São Paulo
O que:

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Constante

Perguntamos algumas vezes para os leitores do Teorias Lost quais os seus episódios favoritos da série. Aberturas e encerramentos de temporadas sempre figuraram entre os favoritos, mas um episódio de meio de temporada, da temporada do meio, é quase uma unanimidade: The Constant.

Desde que o vi pela primeira vez, sabia que ele seria meu favorito. Lost acabou há mais de um ano, e pra mim ele continua insuperável. Um dos capítulos mais bonitos da história da TV, capaz de emocionar até quem não acompanhou a série.

Qual não foi minha surpresa ao saber que o Anthrax (uma banda de thrash metal - muito boa, por sinal) fez uma canção chamada... THE CONSTANT! E não é mera coincidência, tão pouco devaneio dessa mente apaixonada que encontra referência em tudo. Scott Ian, guitarrista da banda e autor da música, disse numa entrevista, com todas as palavras, que a inspiração veio do seu episódio favorito de Lost:


A canção que mais me chamou a atenção foi “The Constant”. Você pode contar qual foi a inspiração?
Foi uma das primeiras músicas a ficar pronta, pelo menos musicalmente. Ela passou por várias revisões. A ideia inicial veio de um episódio de Lost chamado The Constant. É o meu favorito da série. A mensagem nele é a de que o personagem faria literalmente qualquer coisa para voltar pra mulher que ele ama, inclusive viajar no tempo. Não importa. Mesmo que isso o levasse a perder a vida, ele faria qualquer coisa pra voltar pra sua amada.Esse episódio realmente mexeu comigo. Então eu comecei a escrever a letra. Embora eu não possa viajar no tempo, eu sei como é estar do outro lado do mundo tentando voltar pra casa.

Esse episódio é um dos melhores da série.
Tem algo sobre o Desmond que sempre mexeu comigo. Essa música se chamava originalmente “Burn the Past” [“Queime o Passado”], e eu odiei. O título era meu, mas soava muito ‘colegial’, como uma ideia que eu teria tido para um nome de música em 1986. Num determinado momento, eu decidi que não me importava se as pessoas juntassem dois mais dois e a chamei de “The Constant”, como um tributo ao meu amor por aquela série.


Scott Ian, eu te entendo. Todos nós, fãs de Lost, te entendemos. A música ficou muito legal, e a letra é LINDA. Sensacional homenagem. Parabéns e obrigada.


    Dê o play e bata cabeça cante comigo :)


The Constant
(Anthrax)

In a time or place
And do you know my face
And how it is I know you
Something so familiar
Can't recognize

And I slip, and I slip
As I slip unstuck in time
Gotta find my constant
Or my mind is lost

Stronger than any stretch of imagination
Spanning my world my all
Am I here now in between undivided?
I am whole now, so hear me

Scream as my heart pound
Moving too fast now
I am here, I am here
Lost in the moment
Caught in the current
I am here, I am here

Scream as my heart pound
Burn the past now
I am here, I am here
Now close my eyes, take the past and
Burn it, burn it, burn it
Burn it down

I'm here I'm there
Slipstream I scream
Tell me you hear me
My time is here and my place is now

And I slip, and I slip
As I slip through space I'm tethered
A lifeline to cross time back to you

If I could change one thing I'd
Take back all of the lost time
I spent away from your side
Go back and make it right

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Funny how time flies

De acordo com Curt Smith, ver pessoas de vinte e poucos anos cantando todas as músicas junto com o Tears For Fears em São Paulo foi o ponto alto da turnê deles.

Eu, que ainda me incluo nesse grupo (por alguns meses, é bem verdade), digo que cantar Head Over Heels, Sowing The Seeds of Love, Break It Down Again, Shout, Advice for The Young At Heart, Woman in Chains, e todos os outros sucessos que vocês tocaram na noite de 06 de outubro de 2011 foi um dos pontos altos desses meus quase 30 anos.

Mais uma vez, depois de uma vida, vejo a minha trilha sonora sair do rádio e da MTV, pra se materializar em cima do palco, bem na minha frente. E ali, durante aqueles 90 minutos, tudo faz mais sentido. O poder da música é algo realmente incrível. We've got the whole wide world in our hands :)



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

There's a time for everything under the sun

Em 1992 eu comecei a trocar as bonecas pelos CDs. E a culpa foi toda do Nuno Bettencourt. Sequência dos fatos:

  1. Ouvi More Than Words na rádio e me apaixonei pela música;
  2. Vi o clipe de More Than Words no Clip Trip e me apaixonei pelo Nuno Bettencourt;
  3. Passei a ver o Clip Trip diariamente pra ver o Nuno Bettencourt e acabei descobrindo muitas outras bandas e me apaixonando por elas também;
  4. Descobri que tinha um canal que só passava clips o dia inteiro, a MTV, e toda minha diversão na vida passou  a ser MÚSICA e tudo relacionado a ela.


Eis que 19 anos depois, o culpado faz uma tarde de autógrafos na minha cidade. Felicidade é pouco. Olha só o tamanho do sorriso da criança:


video


E toda espera vale a pena se a paixão não é pequena. Mais um sonho realizado.
Gratidão eterna a Caju e Nagato, que fizeram isso por mim, e especialmente à Karina, companheira de várias aventuras na última semana :)